Frederico Gil

1.       Desde já, o meu muito obrigado por teres aceitado esta entrevista. Começando pelos primórdios da tua carreira, desde que idade joga ténis?

Começei a jogar ténis com 5 anos e uma raquete de madeira. Lá em casa temos um court de ténis, construído num terreno que era do meu avô entre a minha casa e da minha tia, e foi aí que tudo começou. Começei a jogar com o meu pai e amigos familiares.

2.       A partir de quando, é que realmente percebeste que querias fazer do ténis a tua vida?

Bem, posso dizer que aos meus 13 anos já tinha bem claro na minha cabeça o que queria e foi nessa idade que disse aos meus pais aquilo que queria ser, jogador profissional de ténis.

3.      No último ano de Júnior, em 2003, entraste no top10 mundial, pensas que isso foi um factor importante para partir para a profissionalização, mais seguro e mais confiante?

Sim, acho que foi super importante para mim o facto de ter conseguido esse objectivo que tinha e ter conseguido atingi-lo. Passei por muitas experiências no mundo “júnior”, e hoje em dia posso dizer que ainda aproveito muita coisa dessas passagens que tive, como por exemplo ter jogado os 4 Grand Slams de juniores, foram experiências únicas e que me ajudaram a ter força para continuar a trabalhar cada vez mais para um dia mais tarde chegar lá como sénior. Neste momento estou nessa fase e acho que ganhei muito com isso. Tenho muito boas recordações desses tempos.

4.       Desde que integraste o circuito profissional, houve algum momento, em que por um conjunto de adversidades pensaste desistir ou mantiveste sempre o teu pensamento positivo?

Como deve imaginar, todos nós passamos por fases menos boas, e não vou estar a esconder que sim já me passaram pensamentos pela cabeça de ver as coisas muito complicadas e ter naquele momento pouca força para continuar, mas também lhe digo que isso passou-me muito rápido, volto logo à minha vida e é o que eu mais gosto de fazer, portanto só me resta continuar e lutar cada dia mais e melhor.

5.       Na outra face da moeda, quais são os momentos que destacas, como «mais felizes» na carreira que tens construído até ao momento?

Bem, são tantos aqueles momentos que me trazem felicidade, vou numerar aqui alguns, aqueles que acho mais importantes e me lembro com mais clareza. As duas vezes que atingi os ¼ final do Estoril Open, os dois jogos que fiz no central com Roger Federer e David Nalbandian, a vitória ao Tursunov na 2ª ronda do Estoril Open 2006, a passagem à Divisão I da Taça Davis no Jamor quando perdíamos por 2-0 e viramos para 3-2 e eu joguei o jogo decisivo do 2-2 e estava a perder por 2sets a zero e virei para 3-2 a favor de Portugal, os vários títulos que já conquistei a nível ATP, futures, challengers, agora mais recente ter acesso aos Grand Slams, etc etc.

6.       Falando da época transacta, integraste o top100, para ti foi a melhor época, ou foi apenas o culminar de anos em que trabalhaste para alcançar esse objectivo?

Claramente a melhor época que já fiz! Foi uma sensação única para mim ter conseguido integrar essa elite mundial. Foi mais um sonho que consegui concretizar.

7.       Actualmente trabalhas com o CETO, e o João Cunha e Silva, é sempre ele que te costuma acompanhar nos torneios ou tens mais alguém na equipa técnica?

Neste momento, viajo acompanhado pelo João Cunha e Silva e também o André Ferreira, outro treinador da equipa técnica do CETO.

8.       Já agora, quantas horas treinas diariamente?

Diariamente, em fase de treinos e não competição treino 6 a 7 horas.

9.      Uma pergunta que julgo costume sempre que te entrevistam. Achas que a saudável rivalidade que manténs com o Rui Machado te dá mais motivação para alcançar certos objectivos?

Essa rivalidade que está a falar acho super saudável, deveria existir mais dessas “rivalidades” para nos puxar ainda mais para cima. Na minha opinião só temos a ganhar com isso.

10.   Outro jogador da tua geração, o Leonardo Tavares, que infelizmente tem sido muito prejudicado devido a lesões. Mesmo assim achas que ainda pode dar muitas alegrias ao ténis Português?

Acho o Leonardo é um jogador com muito potencial e umas “armas” fora do normal, é um jogador muito agressivo em campo. Infelizmente tem sofrido muitas lesões, o que prejudica muito a nível físico e continuidade de trabalho. Acho que ele ainda tem muito para dar.

11.   Falando do ténis Português, relativamente aos últimos anos achas que evoluiu? (se sim), Como avalias essa mesma evolução?

Bom, quanto a este assunto poderia estar aqui a tarde toda a escrever-vos o que penso e acho mas vou tentar ser breve e claro. Na minha opinião, sim o ténis tem evoluído nestes últimos anos. Se me perguntarem se falta muito? Respondo, não, falta muitíssimo. Em primeiro lugar somos muito poucos a praticar ténis profissionalmente, faltam jogadores, e quando digo que faltam jogadores falo daqueles que querem ser mesmo jogadores profissionais, não de uma pessoa que normalmente pratique ténis, falo de jovens com aspiração, com vontade, com objectivos, com querer. Vejo muito pouco espírito de sacrifício nos jovens portugueses que levam o ténis mais a sério, vejo também pouca experiência dos treinadores que ensinam e que transmitem experiências e vivências aos jogadores. Nós temos potencial, na minha opinião, e não é por acaso que nas camadas mais jovens temos sempre “grandes talentos” como gostam de chamar. O problema vem mais tarde quando os jovens já têm outra idade.

Enfim, uma série de coisas. Acho também que estamos a crescer em infra-estruturas, começamos a ter muito boas condições de treino e trabalho, falo em particular, nas novas instalações do Jamos (CAR) onde tenho treinado e aproveitado imenso as condições a que temos direito de utilizar. Os novos campos cobertos, o novo ginásio, as equipas médicas e de fisioterapia, começo a sentir uma “onda” de mais profissionalismo em Portugal, o que só pode ser bom para o ténis, na minha opinião.

12.   Pensas que os jovens jogadores da actualidade poderão tornar-se grandes jogadores?

Acho que ficou respondido na pergunta anterior. Acho que temos um enorme potencial, agora é preciso saber utilizá-lo da melhor maneira possível.

13.   Abordando o Estoril Open, como te sentes ao disputar um torneio ATP realizado no teu pais?

Muito bem!! Até ao momento é o meu torneio preferido. Sinto-me sempre muito acarinhado no Estoril Open.

14.   Como foi defrontar o Suíço Roger Federer, achas que havia uma maior pressão da parte do público? Ou encaraste esse jogo como um jogo normal?

Tentei encara-lo da melhor maneira possível, foi um dia inesquecível para mim e também muito complicado, pois na manha desse dia eu ainda tinha um adversário muito difícil pela frente, jogava contra o João Sousa e só se ganhasse é que poderia defrontar Roger Federer. Portanto o objectivo nesse dia era passar a primeira etapa, que era acabar o jogo com João Sousa que tinha ficado interrompido do dia anterior. Foi uma experiência única até ao momento mas quero voltar a jogar com ele, vou trabalhar para isso.

15.  Pensas que umas instalações definitivas, são essenciais para o Estoril Open evoluir e fazer frente a outros torneios?

Quanto a isso não tenho uma opinião clara. O que sei é que a maioria dos torneios que jogo no mundo inteiro, são instalações assim, pré construídas para um evento e têm tido sempre um grande sucesso.

16.   Achas que Federer poderá voltar a ser Nº1 ou Nadal irá manter essa posição?

Para mim, o Nadal irá ficar durante um bom período de tempo.

17.   Falando agora do final da carreira, tens algum momento pré-definido ou alguma idade em que saibas que acaba ali, ou como se diz, vais jogar até as «pernas aguentarem»?

Neste momento só penso em continuar, nada mais. Acho que o meu futuro também dependerá de como me correrem as coisas até lá. Muita coisa pode acontecer nos próximos anos, vamos ver!

18.   Passando agora ao Gil fora de campo, como tens visto a imprensa ao nível tenistico, tanto escrita, como na internet? Pensas que já há espaço a mais ténis nos jornais, e que os blogs e sites de ténis são cada vez mais?

Sinto que tem crescido imenso. Cada vez se fala mais em ténis e se lêem mais coisas sobre a modalidade, começamos a ter uma comunidade grande à volta do ténis. Quanto melhores resultados tivermos mais se vai falar.

19.   O que gostas de fazer nos teus tempos livres?

Passo muito tempo com a família quando estou em Portugal. Gosto muito de internet, séries de tv, videojogos, amigos, electrónica mas ando viciado no Golf.

20.   Bem, mais uma vez, muito obrigado novamente por teres aceitado, e espero que passes a visitar o tenisummundo.com



9 Responsesto “Frederico Gil”

  1. [...] jogadores de ténis Português de sempre, Frederico Gil. Veja-a na página criada para o efeito AQUI, e comente dando a sua [...]

  2. Norberto diz:

    parabéns, só espero que não se perca este jornalista em “bruto” com todas as suas qualidades ( e defeitos )…..

  3. MiguelDias diz:

    Frederico Gil merece a nossa admiração pelo seu esforço e dedicação ao seu trabalho. A outro nível também tu, Miguel Dias, estás de parabéns por teres batalhado para conseguir uma entrevista de tão ilustre representante do ténis luso. Fiquei completamente esclarecido sobre o profissionalismo e ambição do teu entrevistado Um abraço, José Rodrigues.

    Por José Rodrigues

  4. Nuno A diz:

    Excelente entrevista..continuem assim..melhor site português sobre tenis..um abraço força frederico

  5. Diogo Narciso diz:

    Acho que é de louvar toda a dedicação e trabalho do Frederico Gil, ainda para mais sendo em Portugal tao dificil ser jogador de tenis profissional.Miguel Dias, continua a trabalhar assim tens feito um optimo trabalho

  6. [...] No final do jogo, só podemos dar os parabéns a Frederico Gil, que colocou todos os Portugueses ligados à televisão para o ver jogar frente ao melhor do mundo. Não há melhor altura para reler a nossa entrevista a Gil. [...]

  7. Beatriz Costa diz:

    Adorei a entrevista. O Frederico é um jogador que admiro muito por todo o seu esforço e dedicação, e sinto-me orgulhosa por este ser português.

    Muito obrigada Miguel e parabéns por este site maravilhoso, pois ainda não há muitos assim para os amantes de ténis portugueses

    • Miguel Dias diz:

      Obrigado pelas suas palavras Beatriz.
      O Gil é de certeza um dos maiores ícones do desporto nacional, e um ídolo para muitos jovens tenistas.

  8. MiguelDias diz:

    Muito Obrigado, esperamos corresponder sempre às suas expectativas

  9. MiguelDias diz:

    Concordo com tudo o que disseste Diogo, Frederico Gil tem elevado o ténis Português ao máximo. Obrigado

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