José Rodrigues

1.       Actualmente, o professor é o responsável pelos treinos da maior parte dos atletas da competição, pensa que Almeirim actualmente tem jogadores capazes de ganhar torneios?

Tudo depende da qualidade dos jogadores presentes nos torneios em que participarmos. No ano de 2008 conseguimos alguns resultados de relevo em torneios menos competitivos chegando mesmo a ganhar alguns deles com alguns dos nossos jogadores. Se tivermos em conta que os nossos atletas treinam em média 5 horas por semana e os compararmos com outros jogadores com este volume de treino, penso que temos condições para sermos no mínimo competitivos. O problema é que nos torneios de nível C aparecem os nossos jogadores e outros, de outros clubes que treinam 10-15-20 horas semanais e nalguns casos até mais. Contra esses é naturalmente impossível…

2.       Quantos atletas compõem actualmente as classes de competição?

Temos cada vez mais jogadores federados, mas como é natural nem todos frequentam os grupos de competição. Destas classes fazem parte actualmente 17 jogadores.

3.       Almeirim coloca-se na linha da frente em relação a torneios realizando no total 11, acha que este elevado número é um sinal de evolução? Como avalia essa evolução?

Bastante positiva. Temos cada vez melhores resultados e mais jogadores com resultados. Quer isto dizer que estamos a crescer não só em qualidade mas também em quantidade. Seremos talvez dos 20 clubes do país com um maior número de jogadores classificados no ranking da FPT que será actualizado brevemente.

Mas nem tudo são rosas!!! Temos uma faixa etária com poucos jogadores no nosso clube (dos 10 aos 14 anos), mas tenho esperança que todo o esforço de divulgação da modalidade que tem sido feito trará num brevemente mais crianças de tenras idades para a modalidade e assim, num futuro próximo conseguiremos colmatar, pelo menos em parte, esse défice que agora sentimos.

4.       O professor, é também ao mesmo tempo jogador, a nível individual tem algum objectivo para esta época?

Será a minha 1ª época no escalão de veteranos (+35). Tenho alguma curiosidade em jogar alguns torneios para perceber até onde posso chegar. Sei de antemão que, face ao meu histórico na modalidade, nunca poderei ser um jogador com grandes aspirações, mas penso que, fazendo alguns torneios, é possível entrar para os melhores 40 do escalão. Vamos lá ver…

5.       Almeirim irá participar nos Campeonatos Regionais de equipas no escalão de Seniores, ao qual o professor pertence, quais são os objectivos da equipa? Acha que serão atingidos?

Estamos inseridos num grupo com equipas muito fortes. Daí as nossas expectativas não serem muito elevadas. Preferimos jogar jornada a jornada, sem a pressão de ter que conseguir obter algum resultado de relevo. O que posso garantir é que tudo faremos para merecer o esforço das pessoas que nos apoiam, nomeadamente a direcção do nosso clube, os restantes jogadores, amigos e familiares. Estou certo que a nossa atitude em campo não deixará ficar mal visto o nome da nossa cidade.

6.       Passando agora para o ténis Português, como avalia actualmente o estado do ténis no nosso país, ao nível de infra-estruturas, notoriedade, aceitação da parte do público, etc.?

Desde miúdo que gosto de ver jogar ténis e sempre admirei alguns dos jogadores que hoje são lendas vivas da modalidade como Bjorn Borg, John McEnroe, Mats Wilander, Jimmy Connors, Ivan Lendl, Martina Lavratilova, Cris Evertloid e outros do nosso país como João Cunha e Silva e Nuno Marques. No entanto, tenho um passado directamente ligado à modalidade muito recente. Por isso desconheço com profundidade o passado do ténis português e tenho alguma dificuldade em fazer uma análise credível da possível evolução do mesmo. Daquilo que tenho observado, ouvido e lido, parece-me que nunca existiram tantos jogadores portugueses em todos os escalões com classificações internacionais. O facto de termos alguns deles com potencial para integrarem num futuro próximo os melhores 100 do mundo também tem justificado uma maior presença dos “media” portugueses na cobertura de alguns eventos tenisticos. Esse facto tem dado uma visibilidade maior à modalidade juntamente com a realização do Estoril Open e portanto o público está mais sensibilizado, interessado e atento ao ténis que há uns anos atrás. Mesmo assim, há um longo caminho a percorrer se pensarmos que aqui mesmo ao nosso lado, na vizinha Espanha, o desenvolvimento da modalidade é incomparavelmente maior e melhor que o nosso.

7.       Uma pergunta sempre evidente nestas entrevistas, qual é para si o melhor jogador a Português? E Jogadora?

Frederico Gil e Michelle Brito. Os resultados não enganam. Mas também gostei muito de ver recentemente jogar Gastão Elias e João Sousa. São muito novos, tem uma atitude muito aguerrida e por isso terão com certeza uma margem de progressão bastante grande.

8.       O Estoril Open, é actualmente o mais conceituado evento tenistico a nível nacional, pensa realmente que merece uma infra-estrutura ao seu nível?

Como adepto e amante da modalidade diria claramente que sim. Gastasse tanto dinheiro noutros eventos. Porque é que não se há-de gastar em infra-estruturas para dignificar a modalidade de que nós somos fervorosos adeptos e praticantes? Para além disso uma infra-estrutura deste tipo beneficiaria não só a qualidade de um evento extraordinário como o Estoril Open, mas sobretudo poderia servir de apoio ao desenvolvimento do ténis ao mais alto nível no nosso país. Mas atenção… dizem que estamos em recessão e em época de crise há que equacionar muito bem quais são as prioridades. Na óptica de um cidadão comum questionaria se os benefícios que uma construção deste género pode trazer justificam as avolutadas somas de “euros”  investidos?

9.       Passando agora para o ténis mundial, o Suíço Roger Federer tem capacidades para voltar a ser Nº1 ou pensa que esse lugar continuará a pertencer a outro jogador?

Continuo a gostar mais da sobriedade, da panóplia de soluções e da beleza dos gestos de Federer, mas reconheço que o Espanhol teve uma época de 2008 extraordinária. Teve um desempenho de eleição durante todo o ano, com uma qualidade irrepreensível em todas as superfícies. Tem muitas qualidades, entre as quais, uma garra e um espírito combativo invejáveis. Será muito difícil conseguir destronar este colosso do ténis mundial. Pessoalmente gostava que isso acontece-se porque era sinal que a competitividade tinha aumentado. Não sei se Federer o conseguirá, mas fico contente por constatar que o Espanhol não tem de se defender apenas de Federer.

10.   Bem, obrigado por ter aceite esta entrevista e felicidades para o futuro.

Eu é que agradeço o teu empenho e criatividade para pôr em marcha e desenvolver este blog, que tem ajudado imenso a unir o nosso ainda restrito grupo de amantes do ténis em Almeirim e não só. Antes de terminar não posso também deixar de reconhecer o esforço e empenho da direcção da Associação 20 km de Almeirim – Secção de Ténis na pessoa do seu presidente, o Sr. Paulo Marques. Gostava ainda de agradecer as muitas horas de trabalho, companhia, algum sacríficio, mas também boa disposição e muita vontade em evoluir de quase todos os jogadores com quem trabalhei e continuo a trabalhar quase todos os dias dentro dos courts em Almeirim. Podem contar comigo para o que for preciso!!! E como para o fim ficam os mais importantes, queria ainda elogiar o trabalho e agradecer o apoio, ajuda e amizade de António Féria, o grande responsável pela dinamização e evolução do ténis em Almeirim.



No Responsesto “José Rodrigues”

  1. [...] tudo AQUI ou na nossa página de [...]

Leave a Reply